[Storytelling] Como o contato com a natureza ajudou Lara a se transformar

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Vamos sair um pouco do comum e contar uma breve história. Falaremos sobre a vida da Lara, que viveu uma situação que poderia ser vivida por você ou uma amiga próxima. Leia e entenda o porquê.

Mais um congestionamento, mais um dia. Lara se dividia entre raiva, frustração e cansaço. Sua vida era pautada pelas notas da Faculdade e as metas do banco, onde trabalhava como agente comercial há 4 anos.

Aquelas horas a caminho do trabalho serviam para sobrecarregar sua mente de pensamentos e cobranças. Os pais, questionavam a ausência de namorados. Quem seria promovido no lugar dela? Não era hora de procurar um novo emprego?

A verdade era que Lara se sentia esgotada. Sacrificar o tempo livre, para se qualificar e bater metas, garantia um final de mês sem os ataques do gerente, porém, custava sua alegria em viver. Estava mais difícil levantar da cama, escovar os dentes, transparecer simpatia para o público da agência. Sentia que o trabalho, ao qual dedicava maior parte do tempo, também a adoecia. Estava em uma espiral descendente e não sabia como sair dela.

Mais um expediente se iniciava e Lara precisava manter o foco, que era fechar o maior número de títulos de capitalização possível. Na baia ao lado, Renata, sua mais nova colega de equipe, já estava a postos, com o mesmo sorriso no olhar e a boa energia de sempre.

Renata era daquelas pessoas que todos querem por perto, até mesmo para uma breve conversa em frente ao bebedouro. Lara se perguntava como a amiga conseguia dar conta da rotina de trabalho e estudos, namorar e ainda ter uma vida social agitada, cheia de contato com a natureza e fotos no Instagram. Não era invejosa, mas desejou ter a mesma vida em diversos momentos, com exceção ao fato de que o cargo de Renata era inferior. Recebia como assistente, porém, exercia suas mesmas funções.

A novata nunca havia reclamado disso. Nem de qualquer outro problema, o que deixava Lara ainda mais intrigada.

— Larinha… é nesse final de semana, hein? Vê se não vai furar de novo! — Apesar da aparente surpresa, Lara sabia muito bem do que a colega estava falando. Era a terceira vez que Renata a chamava para uma trilha dentro da Mata Atlântica. Na vez anterior, chegou até a separar os itens sugeridos pelo namorado da amiga, dono de uma agência de esportes radicais, mas acabou dando uma desculpa na última hora.

Era lama demais. Além disso, Lara tinha medo de não conseguir finalizar o trecho… — Você e o Lucas não perdem por esperar! — As desculpas já haviam esgotado. A amiga era tão gente boa que não dava para continuar negando. — Mas precisamos sair às 6:00 mesmo?

Chegou o sábado. A vontade de adoecer a própria mãe ou inventar uma crise alérgica era grande, mas Renata e o namorado já estavam no portão. Tinha receio da novidade, mas Lucas conhecia a região como ninguém, o que a animou um pouco. Já que iria se arriscar no meio do mato, que fosse então com as pessoas certas.

O pai de Lara se surpreendeu com sua chegada repentina, antes do previsto. Um beijo, duas ou três palavras e a moça foi para o quarto. Parecia exausta. Desistiu de assistir a série favorita e de almoçar.

Não sabia se havia gostado da trilha, mas também não detestou. A pior parte, na visão dela, foi ter que pedir ajuda em vários momentos da subida. Sem contar as bolhas nos pés, em função do tênis inapropriado.

Então lembrou da chegada ao cume e de como os três silenciaram a conversa quando chegaram até ele. Era uma espécie de reverência à paisagem ofertada, a percepção de como eram pequenos diante daquele espetáculo. Lara enxergou a mensagem no rosto de cada um e percebeu que, embora nunca tivesse feito nada parecido, possuía a mesma visão.

— Na próxima, quero experimentar rafting. — Foram as primeiras palavras trocadas com Renata, na segunda-feira seguinte. — Só que dessa vez, quero usar o tênis certo! Lara parecia mais animada e disposta mas, como dizem: “tudo piora muito, antes de melhorar”.

Bastou tomar gosto pelo contato com a natureza que “a louca da aventura” como Lucas costumava chamá-la, passou a atrasar as entregas para seu orientador de TCC, perdia aulas importantes e não atingia o patamar de vendas há 3 meses. Mesmo assim estava eufórica. A complexidade do próximo desafio a faria esquecer a humilhação que o chefe a fizera passar na última reunião.

Renata estava muito feliz em ter mais uma parceira nos passeios de cachoeira, no stand-up paddle. Davam muitas risadas juntas, a cada banho de lama… mas sabia que aquela postura acabaria prejudicando Lara. Decidiu então marcar com a amiga um evento que a ajudara alguns anos atrás.

Acostumada com as saídas de final de semana para o interior, Lara estranhou aquele convite para domingo a tarde, no Parque Ibirapuera. Estava cansada de passar por ali no caminho para a Faculdade. Mas, como estava em uma fase que não dizia não para a diversão, topou imediatamente.

Foram para a beira do lago. Renata, que desde que se encontraram não havia dito uma só palavra, estendeu uma toalha e se sentou. Cruzou as pernas e passou a observar o horizonte. Lara, sem entender o que estava acontecendo, começou a rir debochadamente. Por pouco tempo.

Deitou, sentindo a grama tocar seu corpo. Só então reparou que o sol estava se pondo, fenômeno que ela nunca tinha assistido. A coloração alaranjada do céu transmitiu à Lara uma sensação de acolhimento que ela sentira somente na infância.

Começou a recordar bons momentos, como a forma como seu pai a cobria todas as noites, assim que chegava do trabalho. Fingia dormir, para sentir um dos poucos momentos em que seu mentor e modelo — que vivia em função do trabalho —  demonstrava afeto.

Chorou de forma tímida, a princípio. Na sequência, os soluços tomaram conta e a respiração ficou descompassada. Aquela transição entre dia e noite, combinada ao reconhecimento de si mesma na figura paterna, permitiu que Lara compreendesse que tudo na natureza é equilíbrio. Era essa moderação que ela precisava naquele momento.

— Agora você entende, Larinha? — disse Renata, quebrando o voto de silêncio e abraçando a amiga — Sempre que perceber você fugindo do seu propósito de vida, te trago aqui de novo, para o “anoitecer do descarrego”. Combinado?

Sorriram de forma cúmplice, recolhendo as toalhas e seguindo em direção ao estacionamento. Lara, embora soubesse que ainda teria muitas questões para colocar em ordem, sentia, pela primeira vez, que conseguiria dar conta de tudo.

Ela havia descoberto uma amiga para ajudá-la a se desprender do próprio ego, ganhar força e não conseguiria mais viver sem ela. Lara passou a encontrá-la sempre que possível. Em alguns dias, sentindo a força da sua correnteza. Em épocas mais corridas, desfrutando o barulho das suas gotas caindo no telhado.

Se você, assim como a Lara, deseja saber como o contato com a natureza pode trazer mais confiança e equilíbrio para sua jornada, assine nossa newsletter e acompanhe de perto nossos conteúdos.

 
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